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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A abstenção do voto não muda o país

Publicada na edição de 24 a 30 de outubro de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Votar branco ou nulo é um direito eleitoral, porém não muda o fato de que Dilma ou Aécio governará o país


Candidatos derrotados na disputa pela Presidência da República se dividiram no segundo turno, alguns manifestando apoio a Dilma Rousseff ou a Aécio Neves e outros aconselhando os seus eleitores a votarem em branco ou nulo.
“Em geral, os partidos derrotados tendem a ‘puxar’ votos de acordo com as recomendações que fazem àqueles que compartilham de suas ideologias”, explica o cientista político Lúcio Flávio de Almeida.
Porém, aos eleitores que não pretendem votar segundo o posicionamento do partido ou candidato que votou no primeiro turno, é indicada a análise dos candidatos que estão na disputa.
“Como o voto é obrigatório, a atitude ideal seria escolher um dos candidatos, levando em conta o que se espera do governo para os próximos quatro anos. Quem vê pouca ou nenhuma diferença entre eles pode comparar as propostas e entender suas distintas formas de governo”, opina o cientista Hilton Fernandes.
Votar branco ou nulo, porém, é um direito do eleitor. “Se a pessoa está bem informada sobre os dois candidatos e deseja protestar ou manifestar o seu conformismo com as eleições, ela tende a votar em branco. Se, por outro lado, ela está mal informada ou deixou para decidir na última hora e não conseguiu, ela também tende a recorrer a esse tipo de voto”, explica Lúcio Flávio.

Brancos e nulos
Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os votos brancos e nulos não são considerados nas eleições. Eles são divulgados apenas como dados estatísticos. “Na prática, não transmitem nenhuma mensagem, independente das intenções do eleitor”, acredita Hilton Fernandes.
O TSE esclarece que o voto em branco representa que o eleitor não tem preferência por nenhum dos candidatos e transmite uma ideia de conformismo. Já o nulo corresponde à anulação do voto, o que pode ser considerado um protesto.
Segundo o ultimo índice Datafolha, Dilma tem 52% das intenções de voto e Aécio, 48%, uma diferença relativamente pequena, o que torna ainda mais importante a decisão de alguém que a principio pretenda anular o voto ou votar em branco. “Esse grupo pode decidir a eleição”, acredita Lúcio Flávio.

Na hora de escolher
De forma mais facilitada do que no primeiro turno, o eleitor pode agora confrontar as propostas dos dois candidatos e refletir sobre qual deles representa, mesmo que de forma pequena, a defesa de seus interesses e anseios sociais.
Para a cientista política Maria do Socorro Braga, a orientação àqueles que não desejam votar anular o voto ou votar em branco é votar no candidato que considera “menos pior”, considerando que um deles governará o país pelos próximos quatro anos.
Hilton Fernandes lembra que o candidato eleito terá “obrigações e responsabilidades perante todos os brasileiros”, mesmo com aqueles que anularam o voto, votaram em branco ou no candidato derrotado.
Cabe aos eleitores acompanhar essa próxima gestão.

Na opinião de Maria do Socorro, aqueles que não fiscalizarem e cobrarem resultados da gestão do candidato eleito “terão menor chance de ter os seus interesses atendidos”.



São Paulo ‘afunda’ na falta d’água

Publicada na edição de 17 a 23 de outubro de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

A ausência de informações, o racionamento velado e o descompromisso refletem-se no dia a dia da população

A retomada da saúde do Cantareira depende do trabalho da natureza e do homem. De um lado, não há previsão de chuvas constantes ou volumosas até o final de outubro – espera-se que as precipitações de novembro e dezembro renovem o fôlego do Cantareira para o próximo ano. Do outro lado, está a ação humana: a administração exercida pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que é questionável.
Transita na Câmara Municipal de São Paulo uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura as ações tomadas pela Sabesp, e a Justiça determinou que órgãos reguladores acompanhem o processo de retirada de água das represas, a fim de garantir o fornecimento à população.
O racionamento, que ocorre em diversos pontos do estado, é negado pela Sabesp. De falta de informações e de péssima perspectiva para o futuro é que vivem os paulistas.

Em benefício próprio
Há anos, a Sabesp acompanha o esvaziamento do Cantareira. Em 2011, assumiu em relatórios que retirava do sistema mais água do que podia, segundo informações do vereador paulistano Nabil Bonduki.
Por ser uma empresa semiprivatizada, a Companhia ganha com a venda, e não com o cosumo consciente. Apenas no ano passado, seu lucro foi de 1,9 bilhão – valor distribuído entre acionistas, gestores e funcionários.
Apesar de fornecimento de água ser um dos serviços de saneamento básico garantidos em constituição, a vendedora Andrea Lima, que mora no município de Osasco, Grande São Paulo, é uma das diversas pessoas que se vê sem o recurso. “A água vinha sendo cortada todas as noites, agora fico sem durante as tardes também. Já comecei a estocar em baldes e panelas”, confessa. “Enquanto o problema não se resolve, quem paga é a população”.

Racionamento velado
Há cerca de um ano, a população convive com o agravamento da crise hídrica e com a Sabesp negando a possibilidade de um racionamento. No último dia 8, em depoimento na CPI da Sabesp, a presidenta da companhia, Dilma Pena, negou o racionamento, mas admitiu a redução da pressão do bombeamento. “A falta de água depende do reservatório (caixa d’água). Se ele for adequado, a família não ficará sem água”, afirmou.
“Dilma Pena usa de um eufemismo”, aponta o ambientalista e coordenador da rede De Olho nos Mananciais, Mauro Scarpinatti. “Ela pode escolher as palavras que quiser para explicar o que está acontecendo, mas se trata de um racionamento – que está sendo negado em função dos interesses eleitorais do segundo turno”.
Segundo a Sabesp, “as elevadas temperaturas dos últimos dias provocaram aumento do consumo que, associado às medidas operacionais para levar água de outros sistemas a bairros originalmente atendidos pelo Cantareira, prejudicou o abastecimento em alguns pontos altos e distantes”.
Para a estudante Carolina Soares, fingir que não há racionamento é “zombar da inteligência” das pessoas. “O racionamento oficial deve acontecer o quanto antes. Cortar a água de madrugada, achando que ninguém vai perceber, é jogar sujo e querer manter a população desinformada sobre a gravidade do problema”.

Futuro incerto
Enxergando o fim da água disponível no sistema – cerca de 4% de sua capacidade total – a Sabesp solicitou à Justiça autorização para explorar a segunda cota do volume morto do Cantareira, e teve o pedido negado. A intenção dos Ministérios Públicos Estadual e Federal é pressionar a companhia para que o volume atual dure pelo menos até 30 de novembro.
“Com a nova captação, a transferência de áreas antes atendidas pelo Cantareira para outros sistemas, o combate às perdas e a economia da população, o abastecimento de água estará garantido até março de 2015”, afirmou a Sabesp para o Jornal do Trem & Folha do Ônibus.
Para o ambientalista Mauro Scarpinatti, tratar a questão como se obras de emergência resolvessem o problema “denota irresponsabilidade, má gestão e descaso”.

População economiza
Segundo dados da Sabesp, cerca de 70% dos consumidores da Grande São Paulo reduziram o consumo de água.
Para Scarpinatti, um agravante no processo é o desperdício de aproximadamente 30% da água por conta de vazamentos. “Esse índice é inadmissível, corresponde a jogar fora uma represa do Guarapiranga”.
Em relação às perdas, a Sabesp declara que não há especificações para os vazamentos, por conta da variação na milimetragem das tubulações e dos danos.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

É preciso discernimento frente às propagandas políticas

Publicada na edição de 22 a 28 de agosto de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Ignorados por muitos, tais minutos são valiosos para reconhecer os candidatos e iniciar o processo de decisão

É chegada a época das propagandas eleitorais gratuitas na televisão e no rádio. Desde terça-feira, 19, os brasileiros estão reconhecendo os candidatos e reunindo informações para decidir o farão diante das urnas, no próximo 5 de outubro. Os poucos minutos na televisão aberta – que são considerados um tédio por muitos eleitores – são valiosos para estabelecer um primeiro contato com os candidatos. Mas, apenas assisti-los, não é o suficiente.
“As propagandas são feitas pelas equipes de marketing dos candidatos. Como o próprio nome já diz, são meras propaganda, cuja intenção é vender uma imagem e esperar que os eleitores a comprem. Essas aparições na TV custam caro, são feitas por profissionais pagos a peso de ouro, portanto a primeira postura que o eleitor pode assumir é tentar não se deixar iludir com aquilo que vê”, aponta o cientista político e social Lúcio Flávio de Almeida.

Difícil de acreditar
Para não cair no conto do vigário, o eleitor deve ter senso crítico ao ouvir o que diz cada candidato. É importante ponderar se aqueles que estão atualmente no poder realmente fizeram, durante o mandato, tudo aquilo que dizem ter feito.
Já em relação àqueles que pretendem chegar ao poder, o eleitor deve tentar reconhecer se as mudanças sugeridas podem mesmo acontecer. “É interessante pensar: ‘Será que ele vai conseguir fazer tudo isso ou está apenas tentando levar o meu voto?’”, indica a cientista política Maria do Socorro Braga.

A TV é o primeiro passo
“Os programas eleitorais na televisão ainda são a maior fonte de informação dos cidadãos, mas servem mais para saber quais são os candidatos do que para avaliar a qualidade deles”, aponta o cientista político Hilton Cesario Fernandes.
Portanto, ao assistir as propagandas o eleitor pode anotar os nomes daqueles que lhe despertaram interesse e procurar saber as suas propostas e o seu histórico na vida política. Ciente de que o discurso aceita qualquer palavra, é importante que o eleitor procure informações concretas sobre o comportamento de seu candidato.
“Quem não se preocupa em fazer uma pesquisa sobre aquele em quem irá votar me parece alguém que não reconhece a importância da política. Acredito que, hoje em dia, a tendência é que muitas pessoas queiram acompanhar seus candidatos, utilizando a internet e as redes sociais” diz Maria do Socorro.

Debates e histórico na justiça
Mais esclarecedores que os discursos nas propagandas eleitorais costumam ser os bate-papos com os candidatos, em entrevistas para jornais e revistas – que o eleitor pode acompanhar pela internet, televisão ou rádio. Nestes momentos, o candidato tende a falar com mais liberdade, sem cortes ou discursos prontos. “É quando ele se coloca de verdade à frente da população”, aponta Hilton.
Outro método para conhecer o candidato é buscar saber se ele já foi condenado por algum processo na Justiça. “Há casos em que os processos são ações políticas dos adversários, mas se o candidato já foi condenado há chances de ele repetir os mesmos erros”, acredita o cientista político.

Principais preocupações
Mais do que um rosto bonito e palavras bem colocadas na propaganda eleitoral, o eleitor deve se atentar à ficha do candidato e com quem financia a sua campanha.
Para Lúcio Flávio de Almeida, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deveria obrigar os partidos a colocar nas propagandas de televisão quais recursos foram utilizados na campanha. “A tendência é que, quando estiver no poder, o candidato defenda os interesses das pessoas que contribuíram para a sua candidatura, e não os dos eleitores”. Quando o candidato é novo ou pouco conhecido, essa preocupação deve ser redobrada.
“Após a identificação com o candidato, o eleitor deve buscar informações sobre o seu partido. Só assim saberá se os três – eleitor, candidato e partido – têm interesses comuns”, aconselha Hilton Cesario.

Sem oba-oba
Alguns candidatos fazem das propagandas eleitorais um desfile de nomes, números e frases feitas – repetidas à exaustão – sem nenhuma proposta interessante. Alguns utilizam jargões populares, rimas e trocadilhos, o que acaba fazendo com que muitos eleitores não levem a sério as propagandas.
“O ideal é evitar ao máximo esse tipo de comportamento e não votar nestes candidatos, para não incentivar que outros façam o mesmo. Neste momento, o mais importante é saber sobre os planos de governo”, acredita Hilton Cesario.

Votar e cobrar

“Só votar não resolve. É preciso lutar para que os interesses coletivos sejam realizados. Em junho do ano passado, por exemplo, as pessoas foram às ruas e manifestaram insatisfação com a qualidade do transporte público oferecido. Dali por diante, diversos políticos tornaram a discussão sobre a mobilidade urbana uma de suas prioridades. Por isso, cobrar é fundamental. Não basta votar, voltar para casa e esperar por quatro anos para votar novamente. Quanto mais participação política houver, melhores serão os resultados para a sociedade”, aponta Lúcio Flávio de Almeida. 


Não existe segredo: liberdade verdadeira pede responsabilidade e consciência

Publicada na edição de 01 a 07 de agosto de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

A reflexão é bem-vinda: quem leva a vida de maneira inconsequente afasta-se de ter qualidade de vida no futuro

O número de infecções pelo vírus da AIDS aumentou em 11% no Brasil, em contramão à diminuição ocorrida no resto do mundo. Aqui, também, cerca de 10% da população é fumante, mais da metade está com excesso de peso e 17,5% está obesa. Tais números são a ponta do iceberg, e indicam o estilo de vida inconsequente de muitos brasileiros.
“Há quem viva ‘sem limites’, sem refletir sobre os seus atos. Alguns pensam que agir sem se preocupar com as consequências é a melhor alternativa, pois acham que na velhice só terão perdas e mortes”, aponta a psicóloga Jaciara Valiente. “É preciso reeducar o nosso olhar para a velhice. Só assim passaremos a cultivar novos hábitos e a levar a vida de maneira saudável, preocupando-se com mais do que apenas com prazeres imediatos”.

Saúde em primeiro lugar
“Eu fumei quase que a minha vida interia e nunca fui fã de fazer exercícios físicos. Não me arrependo do que fiz, mas sei que agi sem pensar. Se eu soubesse o que sei hoje, o valor da minha saúde, talvez agisse de maneira diferente. Sinto dores no corpo diariamente e me sinto mais velho do que realmente sou. Vivo com medo de descobrir alguma doença”, confessa Miguel Gouvea, de 61 anos.
Para o médico geriátrico Thiago Monaco, a saúde é importante em qualquer momento da vida. “Mas, para ter qualidade de vida na velhice, é preciso que sejam tomadas, o mais cedo possível, atitudes que nos permitam envelhecer com autonomia e independência”.

Para que se arriscar?
O número de mortes em decorrência de acidentes de trânsito ultrapassou os 60 mil no ano de 2012. O uso de esteroides (substâncias químicas que produzem hormônios – cujo uso constante pode causar diversos efeitos colaterais) cresceu em quase 80% nos últimos seis anos no Brasil. “Geralmente, é na juventude que se consolida um padrão de comportamento em que o indivíduo não costuma avaliar os perigos”, aponta a psicóloga Thelma Gazal.
Para poder exercer plenamente a liberdade que tem, é indicado a cada ser humano a reflexão sobre a consequência de seus atos em um futuro próximo. O respeito à própria saúde e ao próprio corpo precisa ser ponderado sempre.

Leve a vida leve
O Brasil é tido como o segundo país do mundo com o maior nível de estresse. Cerca de 30% daqueles que estão no mercado de trabalho sofrem a chamada síndrome de “Burn Out”, um esgotamento mental intenso causado por pressões no ambiente profissional. O estresse costuma ser causado por ansiedade ou depressão e pode resultar em doenças graves, especialmente cardiovasculares.
Para o consultor de carreiras Sílvio Celestino o trabalho deve ser fonte de realização, e não de frustração. “O sacrifício de sonhos e de vontades pode gerar muito desgosto e arrependimento na velhice. Portanto, o segredo está no equilíbrio no decorrer da vida. Isto é, procurar por atividades que lhe sejam satisfatórias”.

O futuro está logo ali
“Envelhecemos desde que nascemos”, lembra a psicóloga Jaciara Valiente. “A velhice parece estar sempre muito longe, mas vejo nos pacientes que atendo a aceitação desse período da vida com otimismo, e não há quem não queira chegar até ela com boas experiências e saúde”.

Para o médico Thiago Monaco, é preciso se preocupar em manter o bem-estar e a disposição em níveis máximos durante toda a vida, não apenas na velhice. “Não devemos beber em excesso, não devemos fumar, em quantidade nenhuma, e não devemos abusar dos alimentos. O corpo e o cérebro devem ser constantemente estimulados e as nossas amizades, cultivadas”. 

Manifestações de patriotismo não podem parar

Publicada na edição de 27 de junho a 03 de julho de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Brasileiros demonstram seu amor pela pátria torcendo pela seleção, refletindo a política e respeitando uns aos outros

De quatro em quatro anos, as pessoas, os carros e as ruas são cobertos de verde e amarelo. A bandeira do Brasil passa a ser vista em todos os lugares, e os brasileiros se reúnem para assistir futebol. Nesse período, o patriotismo é manifestado fortemente: todos desejam que o seu país seja o melhor do mundo.
Mas, não é apenas em Copas do Mundo que a força do povo brasileiro é evidenciada. Recentemente, em junho de 2013, manifestações em todo o país entraram para a história: milhares de pessoas mostraram-se patriotas protestando pela resolução de diversos problemas sociais.
Segundo o dicionário Houaiss, patriota é aquele que ama e zela por seu local de origem. Aquele que se preocupa com a precariedade da educação e da saúde pública, com os problemas sociais e políticos do Brasil, tem orgulho do futebol, da culinária e das manifestações culturais brasileiras é, portanto, patriota.

O patriotismo no Brasil
Uma característica muito forte dos cidadãos norte-americanos é o patriotismo. Nos Estados Unidos, é comum ver bandeiras do país hasteadas em casas e estabelecimentos – sem a necessidade de qualquer evento ou data de comemoração. Há, inclusive, muitas pessoas que se predispõem a ir a guerras, pondo em risco a própria vida, em nome do seu país. No Brasil, essas características não são tão evidentes.
Segundo a psicóloga social Nanci Gomes, da Universidade de São Paulo, isso acontece porque durante o período de ditadura militar, os símbolos nacionais – como a bandeira e a letra do hino – foram explorados pelos ditadores para fazer valer a ideia de que a política implantada atendia aos interesses da nação. Na época, pessoas contrárias à ditadura se afastaram desses símbolos.
Para o cientista social Aurélio Nascimento, manifestar amor pelo país e por seus símbolos deixou de ser uma referência de identidade no Brasil. “No entanto, isso não significa que o brasileiro não tenha apreço por sua nação. Hoje, as pessoas lutam por cidadania mesmo sem idolatrar a pátria”.

Torcida pelo desenvolvimento
O futebol, assim como um torneio como a Copa do Mundo, tem o poder de unir pessoas diferentes em uma mesma torcida. “A realização da Copa no Brasil está mobilizando o brasileiro, que torce pela seleção, faz festas nas ruas, acolhe estrangeiros e expõe a sua identidade: a de um povo alegre, receptivo e de cultura diversificada”, aponta Nanci Gomes. “Porém, a Copa por si só não consegue manter na sociedade um sentimento de igualdade. Para garantir a todos boas condições de vida é preciso que a sociedade aprenda a expressar interesses comuns”.

Exercendo a cidadania
No Brasil, é normal ouvir pessoas dizerem que “todos os brasileiros são corruptos”, “o povo brasileiro não tem educação” ou “viver em outro país seria melhor”. Segundo o cientista político e professor da PUC/SP Pedro Fassoni Arruda, atualmente muitos brasileiros não se preocupam com outros que estejam em regiões ou em classes sociais diferentes das suas.
“E isso se reflete nas eleições. Analisando o mapa de intenção de votos para a presidência, por exemplo, é possível perceber que pessoas que moram nas regiões Sul e Sudeste votarão em candidatos com um perfil completamente diferente daquele que será escolhido por pessoas que moram nas regiões Norte e Nordeste”. Para Pedro, assim como há patriotas, há também no Brasil grupos que não se preocupam com o desenvolvimento da sociedade como um todo.

E se o Brasil perder a Copa?
No atual período, o sentimento de patriotismo de muitas pessoas está fortemente atrelado ao desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo. Mas, mesmo que a seleção não ganhe o Mundial, o sentimento de apreço pela pátria deve permanecer, pois, segundo a psicóloga social Nanci Gomes, o exercício da cidadania depende dele.

Após a Copa, assuntos como a corrupção e a qualidade dos serviços públicos voltarão a ser discutidos assiduamente. “Ao nos identificarmos como uma nação, como o povo brasileiro, passaremos a lutar pelo respeito e pela expressão de todos”, acredita Nanci.


E o futebol venceu o mau humor...

Publicada na edição de 20 a 26 de junho de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Apesar de protestos e falhas na organização, a Copa do Mundo no Brasil é uma positiva realidade

Ao contrário do que muitos queriam e muitos outros temiam, está tendo Copa do Mundo, sim. Mesmo com os protestos que aconteceram pelo país, a maioria dos brasileiros se reúne em frente à televisão em dia de jogo, seja para torcer pelo Brasil, seja para “secar” os adversários.
De maneira independente, a insatisfação da população com o gasto de dinheiro público na organização do evento não foi deixada de lado. Em um ato polêmico, muitos dos que estavam presentes no evento de abertura da Copa do Mundo, no dia 12 de junho em São Paulo, vaiaram e xingaram a presidente Dilma Rousseff. Conheça outros acontecimentos, que assim como esse, já entraram para a história do Brasil.

#estátendoCopa
Antes da abertura já estavam previstos cerca de 15 protestos nas principais capitais do país. A maioria deles não aconteceu de forma pacífica. Em São Paulo, manifestantes e Polícia Militar entraram em confronto horas antes da primeira partida da Copa. Muitas pessoas ficaram feridas e um jovem foi detido.
Apesar dos protestos, nenhum jogo foi impedido de ser realizado. Mas, aparentemente muita coisa vem passando despercebida pela organização da FIFA. Na abertura do evento, por exemplo, uma das três crianças que levou pombos ao estádio, representando um apelo a paz mundial, levantou uma bandeira com a expressão “Demarcação”, um apelo pela demarcação de terras indígenas no Brasil.
Apesar de a FIFA proibir qualquer tipo manifestação política dentro dos estádios, no jogo Inglaterra e Itália, uma placa com os dizeres “Venezuela dictadura”, em referência a repressão do governo venezuelano, foi posta na arquibancada da na Arena Amazônia, em Manaus.
Mas talvez o fato mais polêmico tenha acontecido no último domingo, 15. Na intenção de assistir ao jogo Argentina e Bósnia sem pagar ingressos, cerca de 30 torcedores argentinos pularam um muro e forçaram um portão do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Bola fora
O que era para ser um dos momentos mais marcantes da abertura da Copa do Mundo no Brasil passou quase despercebido. O chute inicial, dado por um jovem com paralisia nas pernas com o auxílio de um robô projetado pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis, foi transmitido por menos de 10 segundos pela televisão.
Já no último domingo, houve uma quebra no protocolo do evento. Em decorrência de uma falha do sistema de som no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, os hinos de França e Honduras não tocaram antes da partida.
Apesar de os hinos serem tocados por cerca de um minuto, para algumas torcidas esse tempo não é o suficiente. Assim como para a brasileira, as torcidas chilena e colombiana cantaram em plenos pulmões o hino de seus países mesmo após o final da música. O ato emocionou torcedores do mundo todo.
Uma falha já considerada “normal” nessa Copa é a invasão aos treinos das seleções. Na manhã do último domingo, o garoto Daniel Eduardo da Silva Júnior, de 12 anos, entrou no campo onde treina a seleção brasileira, no CT da Granja Comary, em Teresópolis, e correu em direção ao seu ídolo, David Luiz. Ao receber a sua atenção, o garoto chorou de emoção.

Bola dentro
Apesar da grande preocupação dos organizadores da Copa, principalmente considerando a paralisação de grevistas aeroviários no Rio de Janeiro no dia da abertura, os aeroportos brasileiros vêm funcionando normalmente desde então. Segundo a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, os índices de atraso e de cancelamento de voos vêm sendo menores do que o esperado.
Assim como os aeroportos, as estações de trem e metro, que levam diariamente centenas de torcedores aos estádios, também seguem funcionando normalmente.

Rivais ensinam
Receber turistas no Brasil é positivo tanto pela movimentação financeira, quanto pela troca de valores culturais. Após a derrota do Japão pela Costa do Marfim, por 2 a 0, no domingo, alguns torcedores japoneses recolheram parte do lixo acumulado na arquibancada da Arena Pernambuco – dando um exemplo de educação para todo o mundo.

Um show de bola

A final da última Copa do Mundo, a de 2010, foi disputada entre Espanha e Holanda. Na ocasião, a Espanha ganhou de 1 a 0. Mas, neste ano, a Holanda deu o troco, não só ganhando, mas goleando: sua vitória por 5 a 1 no estádio Fonte Nova, em Salvador, foi o mais recente capítulo de uma série de embates dos já considerados grandes rivais.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Agressão não rima com educação – nunca

Publicada na edição de 30 de maio a 05 de junho de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Se aprovada no Senado, a Lei da Palmada proibirá agressões físicas e tratamentos cruéis para crianças e adolescentes

“Não existe fórmula certa para educar”. Este é um conceito difundido no Brasil e em diversos outros países. Mesmo pais e cuidadores que costumam partilhar dicas de como lidar com suas crianças e adolescentes evitam criticar seus pares, afinal “cada um sabe o que é melhor para os seus filhos”.
Na literatura, diversas obras se vendem como verdadeiros manuais de educação. Até mesmo na televisão há programas que ensinam a melhor maneira para lidar com crianças. A verdade é que só quem é pai, mãe, cuidador ou responsável sabe o quão complicado é educar.
A fim de amparar esse assunto, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara os Deputados aprovou, no último dia 21, a Lei da Palmada. Ela defende que nenhuma criança ou adolescente deva sofrer traumas físicos ou psicológicos sob a justificativa de educação ou correção. Em outras palavras, com a aprovação da Lei no Senado, passa a ser proibido bater e/ou fazer uso de castigos físicos ou psicológicos ao educar um menor de 18 anos. Conheça as implicações da Lei na prática.

Menino Bernardo
Conhecida como a Lei da Palmada, o projeto de lei segue para o Senado com o nome “Lei Menino Bernardo”, em tributo ao garoto Bernardo Boldrini, que foi assassinado por seu pai e madrasta no Rio Grande do Sul. A intenção desse projeto é alterar trechos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), para que seja proibido o uso de castigo corporal e/ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto.
Como castigo corporal a lei considera qualquer ação que faça o uso de força física e resulte em dor ou lesão. Como tratamento cruel ou degradante a lei considerada qualquer ação que humilhe, ridicularize ou ameace gravemente a criança e o adolescente.
Caso esses itens sejam desrespeitados, existe a possibilidade de sujeição à advertência; encaminhamento a cursos ou programas de orientação; tratamentos psicológico ou psiquiátrico – tanto para os pais quanto para as crianças – ou à inclusão em um programa oficial ou comunitário de proteção à família, de acordo uma decisão judicial.

Bater é preciso?
“Apanhei dos meus pais quando era criança e não os condeno. Seu objetivo era me ensinar que eu estava errado em alguns momentos”, conta Luiz Marcos Guedes, 43.
No Brasil, a violência contra crianças e jovens no ambiente familiar é considerada corriqueira e comum. “Meu filho tem dois anos e leva palmadas sempre que precisa. É muito difícil dialogar com uma criança tão pequena, e eu preciso educá-lo”, explica Helena Tavares, 29.
Para a psicóloga Cláudia Sarti, os pais devem ser conscientes de que castigos corporais e tratamentos cruéis podem “pôr em risco o bem estar físico, emocional ou moral – situação a qual a criança e o adolescente não estão preparados. Além disso, usar a violência é ensinar que ela é uma alternativa para resolver problemas”.

Aplicação da Lei
A Lei prevê que a União, os Estados e os Municípios elaborem políticas públicas e coloquem em prática ações destinadas a inibir a violência doméstica com crianças e jovens.


Como mudar o excesso de cesarianas no Brasil?

Publicada na edição de 23 a 29 de maio de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Nos últimos quarenta anos, essa modalidade de parto se tornou a mais procurada – e um problema de saúde pública

Dos partos realizados no Brasil, cerca de 42% são cesarianas – índice maior que o dobro do indicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é de 15%. Embora ela seja reconhecida como a melhor alternativa para casos em que o bebê não pode nascer por vias normais, o alto índice de realização de cesáreas no Brasil gera preocupações. Trata-se de um problema de saúde pública.
A OMS aponta riscos de contaminações, infecções, problemas pós-parto e mortalidade como as suas principais preocupações com uma população que prefere a prática do parto cirúrgico. Ela indica que tanto a classe médica quanto a população deem preferência à realização do parto normal sempre que possível.

Mundo moderno
Mas na prática é bem diferente. A filosofia “tempo é dinheiro” impera no trabalho dos obstetras (médicos especialistas em gravidez e partos). Esses profissionais ganham mais dinheiro se realizarem diversas cesáreas no mesmo dia, em comparação com o acompanhamento de um único parto normal que pode durar muitas horas.
Muitas mulheres brasileiras, por sua vez, desejam que o momento do parto esteja sob o seu controle e aconteça da maneira mais planejada possível. São atraídas pela conveniência de ter seu filho em dia e hora marcados. “A comodidade faz com que muitas optem pela cesariana. A decisão sobre o tipo de parto é livre e deve ser respeitada, logo cabe à mulher buscar informações sobre os prós e os contras dos tipos de parto existentes e estabelecer uma preferência de maneira consciente”, indica a doula e naturóloga Raquel Oliva.
Segundo o ginecologista Luis Sampaio, o consenso que há em torno da realização de cesáreas no Brasil decorre de iniciativas públicas tomadas nos últimos 40 anos, que têm reflexo até hoje.

Problema antigo
Algumas iniciativas, tomadas em um passado próximo, ajudaram a configurar o quadro atual. Uma delas é o período em que a realização da laqueadura feminina era ofertada junto à cesárea, o que a tornava mais atraente. Segundo Luis Sampaio, houve também um período em que o SUS (Sistema Único de Saúde) não utilizava anestesia na realização de partos normais, o que ajudou a criar na sociedade a associação dessa modalidade de parto à dor.
Além disso, houve um período em que os médicos eram melhor remunerados pela realização de cesáreas do que de partos normais ou naturais. “Mesmo com a inversão da remuneração e com o fim de certas práticas, a procura pela alternativa cirúrgica se manteve alta”, expõe o médico.
Segundo a doula Marina Farkas, por decorrência da grande procura, a maioria dos médicos é levada a estudar mais a fundo a realização de cesarianas do que de outros tipos de parto. “Vejo que na rede pública, a mulher que opta por um parto normal não recebe os devidos cuidados. Na maioria das vezes a grávida nem tem o respaldo de um profissional que a dê suporte emocional. É preciso aumentar as condições para a realização de partos normais”, diz.

Mudando o cenário
Para promover a diminuição da realização de cesáreas no SUS, o Ministério da Saúde faz uso de uma estratégia chamada Rede Cegonha. Desde 2011, a ação incentiva o parto normal e intensifica a assistência à saúde de mulheres e crianças, na intenção de assessorá-los desde a confirmação da gravidez até o segundo ano de vida do bebê, passando pelo pré-natal, parto e pós-parto.
Para Marina Parkas, além de melhorias no SUS é preciso que os convênios brasileiros propiciem aos seus obstetras um cenário em que eles não “percam dinheiro” ao desmarcar consultas para assessorar partos normais.
Mas talvez a mais importante iniciativa a ser tomada quanto ao assunto seja a conscientização das futuras mamães.
“Atualmente há diversas fontes de informação. A leitura de reportagens, artigos científicos e o contato com doulas ou com grupos de discussão é muito importante. É apenas questionando e tirando todas as suas dúvidas que a mulher tende a ser mais “dona” desse processo”, explica Raquel Oliva.

A escolha mais adequada
O caso de Adelir Goes, 29, uma mãe do Rio Grande do Sul que optou por um parto normal, mas foi obrigada legalmente a fazer o parto cirúrgico, assustou todo o país. Adelir obteve orientações médicas, mas não se convenceu de que estava recebendo informações adequadas – acreditou estar sendo induzida sem motivos a uma cesariana.

“Muitos obstetras informam sem explicar, o que costuma gerar dúvidas. Sendo assim, cabe às mulheres buscar segundas opiniões se necessário e contar com a ajuda do médico para reconhecer o limite entre um parto normal e uma cesárea”, indica Raquel.


O abastecimento de água preocupa cada vez mais

Publicada na edição de 02 a 08 de maio de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

A sobrevivência do Cantareira depende da atual administração da crise e da colaboração da população

O nível de água nos reservatórios do Sistema Cantareira atingiu um novo recorde negativo: 11% da capacidade total. Desde 2011 esse nível vem diminuindo; era a Cantareira dando sinais de que o consumo estava alto. Desperdícios constantes, ausência de ações de conscientização pública e falta de investimentos no sistema fizeram com que a crise se alastrasse até então.
Entenda o que tem sido feito e o que é necessário se fazer para que o Sistema Cantareira volte a abastecer as regiões paulistas que antes abastecia.

Descontos e multas
Na intenção de diminuir o consumo de água das mais de 8 milhões de pessoas que são atendidas pelo sistema, residentes em parte da capital, em municípios da Grande São Paulo e em municípios da região de Campinas, o governo estadual implantou um sistema de desconto na conta de água e promete adotar no próximo mês um sistema de multas para quem aumentar o consumo.
Segundo dados do próprio governo estadual, 76% da população atendida pelo Cantareira reduziu o consumo de água após o lançamento da campanha de descontos. Parte desses consumidores, 37%, obteve o desconto em sua conta.
No último dia 21, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) começará a cobrar, a partir de maio, multa de 30% do valor da conta de quem aumentar o consumo.

Possível implantação do rodízio
O governador Geraldo Alckmin defende a redução da pressão da água durante a madrugada, mas se mostra contrário ao rodízio, situação em que para cada 1 dia de abastecimento de água a população passaria por 2 dias sem. “É evidente que o governo não quer tomar uma medida tão impopular em ano eleitoral”, acredita o ambientalista Mauro Scarpinatti. Em seus discursos, o governador defende que suas ações “nada têm a ver com reeleição”.
Havendo a implantação do rodízio, é possível prever que a população sentirá o impacto da falta de abastecimento de maneiras diferentes. Aqueles que moram em condomínios e utilizam caixas de água grandes poderão utilizar, nos dias de abstenção, a água quem têm estocada. Já aqueles que moram em residências com uma caixa de água média ou pequena provavelmente sentirão a falta diretamente na torneira.

Questões políticas
O Ministério Publico investiga se houve má administração por parte do Estado e da Sabesp, atitude que corroboraria com a atual crise hidráulica. O governador Geraldo Alckmin, por sua vez, esclarece em seus discursos que suas atitudes são tomadas com base nos apontamentos dos técnicos do Estado.
Para Mauro Scarpinatti, é necessário administrar melhor a demanda de água, “coisa que o governo nunca fez, pois sempre procurou se voltar para a oferta. Isso porque a Sabesp é uma empresa de economia mista que vende água, ou seja, do ponto de vista meramente empresarial, para a Sabesp quanto mais consumo houver melhor”.

O futuro de São Paulo
Enquanto a crise do Cantareira não é contida, parte da região que antes era abastecida por ele hoje é abastecida por outros sistemas do Estado – ação que pode colapsar tais sistemas a longo prazo.
Para o biólogo coordenador do IPE (Instituto de Pesquisas Ecológicas) Alexandre Uezu, o Sistema Cantareira voltará a abastecer as regiões paulistas que antes abastecia desde que “tanto a Sabesp quanto a população evitem desperdícios”. Para ele, é crucial que o consumo de água em São Paulo seja e se mantenha reduzido.
Já para o ambientalista Mauro Scarpinatti, o reestabelecimento do Cantareira depende do quão cauteloso será o processo – já iniciado pela Sabesp – de retirada de água do chamado “nível morto”, que está abaixo da linha de captação das barragens. “Acredito que essa reserva não deveria ser utilizada mas, já que será, é importante agir com cuidado, pois quando se vai até o fundo de um lago seu ecossistema sofre alterações imprevisíveis”.


Por que você ainda não pratica exercício físico regularmente?

Publicada na edição de 17 a 24 de abril de 2014 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Colocar o corpo em movimento não é tão difícil e nem tão caro. Pelo contrário, é algo prazeroso e extremamente benéfico à saúde

Na teoria, todo mundo conhece os benefícios da prática de atividades físicas. Ela afasta doenças, alivia dores, ajuda a manter o corpo saudável e o peso em dia, além de gerar grande bem-estar psicológico. Mas, na prática, não é todo mundo que coloca o corpo em movimento com uma frequência regular.
“A modernidade nos faz ser sedentários. Exemplos banais são as escadas rolantes e os elevadores que transportam o nosso corpo sem que façamos grandes esforços. A correria do dia a dia também nos influencia, pois o cansaço muitas vezes nos impede de praticar exercícios físicos. E, como um agravante, há também as cirurgias plásticas. Muitas pessoas recorrem a elas para transformar seu corpo rapidamente”, aponta o professor de educação física Vinicius Almeida. “Uma coisa é certa, quem não arruma tempo para cuidar da saúde terá que arrumar tempo para cuidar da doença”, lembra.

Mãos a obra?
O que não faltam são possibilidades para praticar exercícios físicos regularmente. Desde caminhadas ao ar livre às artes marciais, passando por aulas de dança, natação e academia, há atividades para todos os gostos. A melhor alternativa para uma pessoa é aquela que alinhe o seu gosto pessoal, o seu objetivo, o custo (em dinheiro), o horário e a frequência de realização durante a semana.
Além da prática regular de exercícios físicos, é interessante incluir no dia a dia o hábito de praticar pequenas atividades físicas, como subir escadas, lavar o carro ou limpar a casa. “Qualquer esforço muscular é positivo e queima calorias”, aponta Vinicius.

Para todos os gostos
Segundo o professor de educação física, “a escolha do exercício tem de estar atrelada ao estilo de vida e aos interesses de quem pratica”. Se o interesse é emagrecer, os exercícios aeróbicos, aqueles que geram um aumento dos batimentos cardíacos e exigem um esforço do sistema respiratório, são os mais indicados. Se o interesse é ficar forte e ter mais resistência física, a musculação e a prática de lutas são uma boa pedida.
Agora, se o interesse for distrair um pouco a mente, aliviar o estresse do dia a dia e tirar o corpo da inércia (da estagnação e da preguiça) a prática regular de qualquer que seja o exercício físico é recomendada, desde que respeitando os limites do seu corpo. Praticar esportes, caminhar, andar de bicicleta, meditar, dançar, lutar, nadar e fazer yoga, entre diversas outras atividades, são primeiros passos rumo ao bem estar físico e mental.

Vença a preguiça
O professor de educação física Vinicius Almeida dá dicas de como vencer a preguiça e se manter praticando exercícios físicos frequentemente: “Antes de tudo, escolha algo que goste e que seja realmente prazeroso para você. É interessante que essa atividade seja realizada em algum lugar perto da sua casa ou no caminho do trabalho ou do lugar em que estuda, pois, se tiver de fazer um grande deslocamento até chegar ao local, provavelmente você pensará duas ou três vezes antes de sair de casa. Uma boa dica é ter uma companhia fixa para se exercitar, pois assim uma pessoa incentiva a outra. Com o passar dos dias, quando a prática se tornar um hábito, dificilmente você será capaz de abandoná-la. Seu corpo passará a sentir falta dos resultados positivos proporcionados pelo exercício”.

Pode ser que doa 
Quando se pratica exercícios físicos, a dor muscular é algo comum, um sinal de adaptação. “A dor indica que o músculo está se recuperando dos esforços que dele foram exigidos”, explica Vinicius. Logo, se no dia seguinte a pratica de exercícios você sentir uma dor suportável, que dure em média de 2 a 3 dias, não se espante. “Mas, se sentir dores fortes e/ou nas articulações, é importante buscar uma avaliação profissional ou médica”, finaliza o professor.