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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Você conhece o Cadastro Positivo?

Publicada na edição de 16 a 22 de agosto de 2013 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.

Iniciativa tende a favorecer os bons pagadores, que poderão solicitar juros menores em empréstimos

O Cadastro Positivo tem o objetivo de beneficiar os consumidores que pagam as suas contas em dia no momento em que precisarem contratar crédito no mercado: a sua “boa ficha” financeira o dará o poder de negociação junto aos bancos e empresas credoras. Assim, o bom pagador tende a conseguir melhores condições de acesso ao crédito, com menores taxas e melhores prazos para quitar a dívida.
“Além disso, o Cadastro Positivo pretende contemplar cerca de 26 milhões de pessoas que hoje não têm acesso ao crédito do mercado porque não têm como comprovar renda ou porque só compram à vista”, explica Bruna Almeida, membro da CF Brasil Consultoria.
O alto índice de pessoas quem atrasam o pagamento ou não pagam as suas dívidas é um dos motivos que fazem com que os juros no Brasil sejam tão altos. Portanto, nada mais justo do que privilegiar os bons pagadores com a possibilidade de ter as suas taxas reduzidas.

Como funciona
O Cadastro Positivo registra informações e mapeia o comportamento financeiro de consumidores e empresas, com base no seu histórico de pagamentos em dia. Ele funciona como um banco de dados que registra a pontualidade com a qual o consumidor paga as suas contas de água, luz, telefone, TV a cabo, parcelas de financiamentos e crediários, entre outros. Vigente desde o dia 1º de agosto, ao evidenciar o bom comportamento do consumidor o programa possibilita a negociação de menores taxas e melhores condições de pagamento dos empréstimos tomados em bancos, instituições financeiras ou em empresas credoras.

Empresas também podem
Às pessoas jurídicas é esperado acesso a melhores condições de negociação com os seus parceiros comerciais ao solicitar linha de crédito ou financiamento, com base nos seus compromissos financeiros anteriores e atuais.

Como se cadastrar
A inclusão no Cadastro Positivo é gratuita e opcional. Para participar é necessário preencher uma ficha de inclusão no banco ou em alguma instituição credora. Neste momento, o consumidor deverá também escolher a instituição que irá armazenar os seus dados. “Empresas como a Serasa e o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), que já trabalham com listas de inadimplências, são as mais capacitadas e que têm as ferramentas mais adequadas para trabalhar com o Cadastro Positivo”, indica Bruna Almeida.
Feito o cadastro, as informações dos consumidores serão colhidas em diversas empresas, de todos os segmentos. O prazo de permanência das informações nos bancos de dados é de 15 anos e o cadastrado terá sempre o direito de saber quais empresas compartilharam e consultaram os seus arquivos. “Ao autorizar o cadastro, o consumidor não estará permitindo o uso de seus dados por empresas de marketing ou que realizem outra atividade que não seja a análise de crédito”, explica a consultora.

Como utilizar
“Quando quiser buscar crédito em uma instituição financeira o consumidor poderá autorizá-la a acessar seus dados no Cadastro Positivo. Ao provar que paga as suas contas em dia ele pode barganhar melhores condições, negociar juros mais baixos e prazos mais longos para pagar o empréstimo. Para o consumidor, ser avaliado de maneira completa e individual é benéfico, pois diminui a burocracia”, explica Bruna Almeida. O consumidor poderá visualizar as suas próprias informações, solicitar correções e pedir para retirar o seu nome do Cadastro Positivo a qualquer momento.

O histórico será levado em consideração
“Uma dívida não paga constará no histórico do consumidor ou da empresa por cinco anos, mas a intenção do Cadastro não é evidenciar as falhas e sim possibilitar uma análise da situação do cliente como um todo. Portanto, se o consumidor normalmente paga as suas contas em dia, não será prejudicado por uma ou duas contas pagas em atraso”, explica a consultora. “Os ‘pontos perdidos’ por uma conta paga em atraso podem ser recuperados. Basta que o cliente pague as próximas nas datas certas”, finaliza Bruna Almeida.




sexta-feira, 5 de julho de 2013

Por que o brasileiro não guarda dinheiro?

Publicada na edição de 21 a 27 de junho de 2013 do Jornal do Trem e Folha do Ônibus da FLC Comunicações Ltda.



Pesquisa aponta que mais da metade da população não cogita a possibilidade e desconhece as vantagens de poupar

69% dos brasileiros não guardam dinheiro, enquanto 52% não conhecem as vantagens financeiras de ter uma poupança, segundo dados da recente pesquisa encomendada ao Ibope pela Serasa Experian. “Os brasileiros têm dificuldade em poupar e se endividam com facilidade porque não há um sistema de ensino voltado à educação financeira dos jovens brasileiros. Crescemos familiarizados com o fato de que para conseguir as coisas precisamos nos envolver em prestações. Como resultado, há no Brasil um alto índice de endividamento pessoal”, avalia Bruna Almeida, consultora financeira da CF Brasil.

Prefiro consumir
A pesquisa realizada no primeiro trimestre deste ano com mais de duas mil pessoas em todos o país indicou que 35% dos entrevistados preferem gastar imediatamente do que guardar o dinheiro. “O brasileiro tem o perfil extremamente imediatista, sendo que para poupar é preciso economizar e fazer com que sobre dinheiro no futuro – e esse é uma visão que não agrada as pessoas. Por isso adiam o início da poupança eternamente”, afirma Bruna Almeida.
O consultor financeiro Gabriel Martins considera que o brasileiro sofre com os diversos incentivos ao consumo e se endivida cada vez mais. “O salário da maioria da população não é suficiente para pagar as contas, consumir e ainda por cima poupar no final do mês”, diz Gabriel.

Poupar pra quê?
52% dos entrevistados não sabiam ao certo quanto dinheiro teriam após investir R$100,00 em uma aplicação com rendimento de 2%. A dificuldade em fazer os cálculos pode ser uma das responsáveis pela falta de interesse nos investimentos. A maioria daqueles que responderam corretamente (R$ 102,00) tem curso superior e renda mensal acima de 10 salários mínimos.
O consultor Gabriel Martins explica que mesmo não estando familiarizado com os juros dos rendimentos o brasileiro paga diversos juros em suas compras cotidianas, “como se isso fosse a coisa mais normal do mundo”, diz.
Outro aspecto que inibe a poupança é o cada vez mais facilitado acesso aos financiamentos, como é possível observar no constante aumento de vendas de veículos e motos. “Se o crédito está abundante ninguém sente a necessidade de poupar, até porque a satisfação em sair da loja com o produto em mãos faz com que as pessoas se esqueçam da ‘dor’ do endividamento", avalia Bruna Almeida.

Saiba economizar
38% dos entrevistados na pesquisa alegam que conseguir um desconto no pagamento à vista não faz parte dos seus planos. Mesmo não tendo dinheiro sobrando, o brasileiro não se preocupa em pagar mais do que pode para as lojas e financiadoras.
“A ansiedade é um problema que afeta grande parte da população. A maioria das pessoas prefere viver a vida intensamente, gastando tudo hoje, pois acreditam que amanhã poderão não estar vivos para aproveitar a vida. Por isso pagam preços altos e toleram juros”, explica Gabriel Martins.

Seja cauteloso
“A poupança pode ser feita por vários motivos, sendo o principal deles ter uma reserva para usar em momentos de necessidade, como na perda do emprego ou quando precisar de um tratamento de saúde. No entanto, há pessoas que guardam dinheiro para um objetivo específico, como comprar a casa própria, viajar no final do ano, financiar os estudos dos filhos, desfrutar do dinheiro quando se aposentar etc.”, explica o consultor financeiro Gabriel Martins.
Um bom motivo para se preocupar e começar a poupar é o fato de que as pessoas valem cada vez menos para o mercado de trabalho, pois o valor do profissional diminuiu com o passar do tempo.
“Enquanto você investe na sua formação é perceptível que o salário cresce proporcionalmente, mas ao chegar à faixa dos 40 anos fica um pouco mais difícil acompanhar a evolução das coisas e o salário acaba se estagnando. É preciso estar preparado, considerando que neste ponto você terá uma família para sustentar”, observa Bruna Almeida.

Comece agora
Motivos para poupar não faltam. Especialistas aconselham que guardar dinheiro seja considerada uma obrigação mensal e veem a poupança como o local mais indicado. “O mais importante é estabelecer um objetivo para o dinheiro economizado. Isso manterá o seu entusiasmo ao ver o progresso e perceber que a cada mês se aproxima do seu objetivo. A economia é feita nos detalhes, nas pequenas coisas do dia-a-dia que somadas podem fazer a diferença no final do mês”, finaliza Bruna.